julho 01, 2009

Orly

La vie ne fais pas de cadeaux


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junho 28, 2009

Reviver o Passado em Budapeste

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Carlos M. Fernandes, Budapeste, Agosto de 1997


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Carlos M. Fernandes, Budapeste, Agosto de 2002


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Carlos M. Fernandes, Budapeste, Abril de 2003


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Carlos M. Fernandes, Budapeste, Setembro de 2003


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Carlos M. Fernandes, Budapeste, Abril de 2004


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Carlos M. Fernandes, Budapeste, Agosto de 2004


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Carlos M. Fernandes, Budapeste, Setembro de 2005


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Carlos M. Fernandes, Budapeste, Junho de 2006

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junho 25, 2009

El Chiringuito

(Publicado há uns dias no Insurgente.)

Um chiringuito, na sua definição mais restrita, é uma esplanada de praia, particularmente abundante no litoral andaluz, onde, para além de se servirem as típicas frituras, se assam polvos, sardinhas e outros peixes. Recentemente, a alteração da Ley de Costas veio pôr em causa a continuidade de alguns chiringuitos espanhóis. A aplicação retroactiva da lei (e essa parece ser apenas uma das muitas polémicas em redor desta matéria) ameaça os estabelecimentos comerciais que estão sobre o areal, pois as novas normas não salvaguardam concessões antigas. Muitos não têm agora para onde recuar, e, para os que têm essa escapatória, esta não é a melhor altura para um investimento desse montante. Após alguns meses de teimosia, o ministério que tutela o caso lá aceitou esperar pelo fim do verão para forçar a aplicação da lei.

Mas para alguns desses restaurantes não há alternativas a curto prazo, e terão mesmo que fechar na próxima temporada, podendo afectar ainda mais o já altíssimo nível de desemprego da região (só na província de Málaga há 15000 pessoas que dependem desta actividade). A única coisa que os empresários pedem é a manutenção das concessões antigas, e a aplicação da nova lei apenas às novas autorizações. E não são assim tantos esses chiringuitos que pisam a areia das praias andaluzas, areia (?) que, do lado do Mediterrâneo, não é a melhor portada para um panfleto turístico. A inflexibilidade do governo é ainda mais incompreensível se nos lembrarmos dos quilómetros de atentados urbanísticos que percorrem a costa andaluza. É assim a cruzada sanitarista: uma máquina devoradora que não olha a excepções e que não respeita os investimentos feitos por pequenos empresários que cada vez mais se sentem como uma espécie de Santa Casa para a administração pública.

(Há cerca de duas décadas foram retirados todos os cartazes publicitários das estradas de Espanha. Apenas ficou o famoso touro da Osborne, após alguns episódios nos tribunais, porque já tinha um estatuto de património cultural da paisagem espanhola. Não é preciso uma grande dose de preconceito para se imaginar a má sorte do touro se isto se tivesse passado na Espanha de Zapatero. Para já, o pobre Osborne é apenas alvo da ira dos independentistas catalães e dos militantes da causa do “género”.)

O El Chiringuito de Cacín - uma aldeia perto de Granada - não entra nestas contas pois está a setenta quilómetros do mar. A frescura do local e a proximidade das águas do rio levaram a proprietária e cozinheira, Expiración Jiménez “Espirita”, a baptizar o seu novo restaurante com um nome que evoca outras paisagens. Espirita é uma velha conhecida aqui de Granada, pois durante catorze anos fez sucesso com um restaurante sito no bairro da praça de touros. A sua cozinha é alpujarreña — a Alpujarra é a região que abrange a encosta e alguns vales a sul da Serra Nevada — e por isso não é o melhor lugar para buscar salmonetes fritos. É uma cozinha da serra, com cheiro e texturas da terra, e representativa da gastronomia das três culturas: árabe, judaica e cristã. Ainda não visitei este chiringuito do campo (não tardará muito). Mas há coisas que não enganam. Passemos a palavra à maestra:

¿Que ofrece usted en su nueva carta?

Mantengo los platos que más aceptación tuvieron entre mis clientes. La caldereta de cordero lechal, las migas alpujarreñas, el choto [cabrito] al ajo cabañil, caracoles con jamón, carne a la brasa en barbacoa, cocido de hinojos [funcho]…Además tenemos la gama de postres moriscos, soplillos de la Alpujarra, leche frita, potaje de castañas y el flan aromático, recetas recuperadas con ingredientes propios de aquella zona. Y especialmente, ofrecemos el mejor jamón alpujarreño, tan rico y tan bien curado que supera a los pata negra.

Ideal

A parte do presunto alpujarreño é um exagero regionalista. Mas o resto não desmerece a visita (o presunto também não, claro, mas não é um pata negra, pelo menos o de Trevélez, que conheço bem). E é bom conhecer estes refúgios onde se preserva a tradição gastronómica da vasta península ibérica antes que a ASAE chegue a Espanha. Infelizmente, esse dia já esteve muito mais longe, dos chiringuitos e não só.

(Algumas receitas alpujarreñas aqui. E, já agora: rabo de toro cordobés, Na Cozinha)

Carlos Miguel Fernandes

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junho 23, 2009

Arte, Fotografia e Ciência II

(...)
Entretanto, a fotografia perscrutava também para além da realidade, ou pelo menos para além da realidade que o olho humano desarmado pode ver. Em 1878, Eadweard Muybridge (1830-1904) usou um conjunto de câmaras para fotografar um cavalo em galope. A série de fotografias resultante, chamada The Horse in Motion, registou o movimento nas suas diferentes etapas, contradizendo a forma como os pintores sempre o haviam representado, pois mostrava que os cascos de um cavalo perdem o contacto com o chão ao mesmo tempo, mas não esticados, como era crença geral. Ao mesmo tempo, Etienne-Jules Marey (1830-1904) estudava também os movimentos humanos e animais, mas, ao contrário de Muybridge, Marey utilizava só uma câmara e conseguia registar o movimento em apenas um negativo. Os seus estudos sobre os movimentos dos animais começaram com um insecto artificial que Marey desenhou e testou com o objectivo de simular o voo de um insecto real e mostrar que este faz um movimento que se assemelha a um 8. Marcel Duchamp (1887-1968) reconheceu a influência de Marey no seu Nu descendant un Escalier. No.2. (1912), mas a sequência de Muybridge’s que mostra uma mulher a subir uma escada (1887) vem-nos imediatamente à memória quando vemos o quadro de Duchamp. Uma das mais importantes obras de arte do século XX terá sido inspirada por uma experiência científica.

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Eadweard Muybridge, Woman Walking Down Stairs, 1887

Lewis Carroll foi um nobre seguidor da tradição renascentista. O seu reconhecido talento literário acompanhou a prática apaixonada dos seus dotes fotográficos. Para além disso, Carroll foi professor de matemática. Todos estes interesses se inter-relacionaram e deram origem a um corpo de trabalho consistente. E Carroll, sendo um homem de ciência, estava obviamente rodeado de motivos “científicos”. Por exemplo, uma fotografia tirada em 1857 mostra Reginald Southey (1835-1899) — um estudante de medicina e fotógrafo-amador que encorajou Carroll a seguir a arte — a pousar ao lado de dois esqueletos surpreendentemente parecidos de um homem e de um macaco. Dois anos antes da publicação da Origem das Espécies (1859) de Charles Darwin (1809-1882), Lewis Carroll, com este estranho retrato, parecia especular sobre a evolução.

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Lewis Carroll, Reginal Southey and Skeletons, 1857

O universo de Carrol, feito de lógica, charadas e realidades alternativas às quais se acediam por espelhos, era um universo mágico e, no entanto, científico. Em vida, tal como nas histórias, Carroll estava rodeado por uma aura de magia. Muito anos após ter inspirado o livro Alice no País das Maravilhas (1865), Alice Liddell (1852-1934) falou sobre a câmara escura (laboratório de revelação) de Carroll: (…) muito mais excitante do que ser fotografada era ser autorizada a entrar na câmara escura, e vê-lo revelar os enormes negativos de vidro. Que coisa poderia ser mais fascinante do que ver o negativo a formar-se gradualmente, enquanto ele o agitava suavemente no banho ácido? Para além disso, a câmara escura era misteriosa, e nós sentíamos que ali qualquer aventura poderia acontecer (…) [1]. Para Alice, o laboratório de revelação era o seu País das Maravilhas terreno, um mundo de fantasia repleto de aventuras latentes.
(...)

Carlos M. Fernandes, in ROBOT ARTe, catálogo da exposição de Leonel Moura com o mesmo nome

[1] Alice Liddell Hargreaves, The Lewis Carroll that Alice Recalls, New York Times, 1932. (Fonte secundária: Morton N. Cohen, Reflections in a Looking Glass, Aperture, 1998)

Carlos Miguel Fernandes

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junho 18, 2009

Arte, Fotografia e Ciência I

(...)
Durante a Renascença, para além da perspectiva, houve várias teorias e ferramentas que serviram diferentes áreas de conhecimento e impulsos criativos. A camera obscura, por exemplo — um aparelho óptico, directamente relacionado com a pintura e a perspectiva, cujos princípios de funcionamento já eram conhecidos desde a Grécia Clássica — ganhou popularidade entre os artistas após diversos aperfeiçoamentos em termos ópticos e de maior portabilidade. Diz-se que a camera era muito estimada pelos pintores do século XVII. Decorre ainda uma discussão sobre esta tese, mas alguns investigadores pensam que Johannes Vermeer (1632-1675) e Cannaletto (1697-1768), por exemplo, utilizaram a camera obscura como um auxiliar de desenho, com o objectivo de aumentar o realismo e aperfeiçoar os detalhes das suas obras-primas. Dois séculos mais tarde a camera obscura transformou-se na câmara fotográfica e começou então mais uma era prolífera de diálogos entre a arte e a ciência. Mas ainda no século XVII, outras ferramentas, tais como a camera lucida e os vidros côncavos, foram também utilizadas com o propósito de ampliar a visão dos artistas e a sua habilidade para reproduzir o mundo de uma forma meticulosa.

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Karl Blossfeldt

A ilustração científica, uma prática que por vezes estava directamente relacionada com estas ferramentas ópticas, cresceu na fronteira onde arte e ciência se confundem (pelo menos antes da fotografia aparecer e substituir a demanda de mãos talentosas). A ilustração científica existe, sem dúvida, para servir a ciência, mas pode também ser retirada desse contexto e sobreviver graças às suas qualidades estéticas. Nesse sentido, a agitação em torno do objecto-contexto-arte que se viveu no início do século passado tem as suas raízes bem fundadas na História da Ciência*. O herbarium de Karl Blossfeldt (1865-1932) pode ser visto como um herdeiro moderno da ilustração científica clássica. A série, publicado em 1928 no livro Urformen der Kunst, mostra detalhes de flores e plantas que Blossfeldt fotografou durante a sua carreira como professor de desenho, com o objectivo de mostrar aos estudantes as semelhanças entre as estruturas naturais e os ornamentos arquitectónicos. A abordagem sóbria do tema, e o enquadramento repetitivo e convencional do motivo, fotografado contra um fundo neutro, lembra-nos os trabalhos dos ilustradores botânicos dos séculos XVIII e XIX, tais como Elizabeth Blackwell (1707-1758), Alois Auer (1813-1869), ou os irmãos Franz (1758-1840) e Ferdinand Bauer (1760-1826).

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Étienne Carjat, Charles Baudelaire

Dada a sua natureza, a fotografia surgiu como um meio privilegiado de comunicação entre artes e a ciências. A sua própria génese já havia congregado uma mistura de impulsos criativos e sede de conhecimento com diversas origens. A fotografia é uma mistura das duas áreas, na qual a prática da arte implica o entendimento da ciência. Percorrendo a História, encontramos vários exemplos de um carácter oscilante, entre as suas origens científicas e os novos caminhos criativos que a fotografia desbravou. Nos primórdios da escrita com luz, houve muitos e acesos debates em redor da nova arte, principalmente devido à natureza mecânica e ao potencial técnico. Alguns bradaram contra o carácter tecnológico da fotografia — Baudelaire (1821-1867) por exemplo, quando disse que a fotografia deveria regressar ao seu propósito inicial, que era servir as artes e as ciências. Outros inquietaram-se com os caminhos trilhados por uma arte que começava a revelar aptidões técnicas inesperadas. Uma das fotografias mais famosas de Henry Peach Robinson (1830-1901), Fading Away (1858), gerou uma enorme controvérsia nos círculos fotográficos da época. A imagem mostra uma cena dramática (mas falsa), na qual uma rapariga moribunda aparece rodeada pela sua família veladora. As limitações técnicas da época tornavam difícil, ou mesmo impossível, obter tal composição e iluminação usando meios “naturais”, e talvez por isso Robinson tenha recorrido a cinco negativos fotografados separadamente, os quais, justapostos, deram origem à polémica composição (uma limitação numa área pedia engenho noutra). A fotografia, nascida para retratar a realidade, começava a fabricá-la.
(...)

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Henry Peach Robinson, Fading Away

* Nesta altura, devemos referir o fotógrafo Eugéne Atget (1857-1927) e as suas imagens das ruas de Paris — ou “documentos para artistas”, como Atget as designava para mostrar que eram apenas esboços para pintores. Mais tarde, o seu trabalho atraiu a atenção de Berenice Abbot (1898-1991), que o promoveu obstinadamente após a sua morte. Agora, nas paredes de museus reputados, as fotografias de Atget já não são “documentos para artistas”, mas sim um corpo de trabalho central na História da Fotografia.

Carlos M. Fernandes, in ROBOT ARTe, catálogo da exposição de Leonel Moura com o mesmo nome

Carlos Miguel Fernandes

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junho 14, 2009

Sem Palavras

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Granada, 12 de Junho de 2009

Luque y José Tomas, perfectos

Apoteosis de Tomás y Luque

Carlos Miguel Fernandes

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junho 12, 2009

Duas Lendas em Granada

Dia grande em Granada. José Tomás vai estar hoje ao fim da tarde na praça de touros, em carne e osso, e o espírito de Manolo Caracol (1909-1973) vai animar o Alhambra numa altura em que se celebra os cem anos do nascimento do génio de Sevilha. O espectáculo é também uma evocação do mítico concurso de canto jondo, organizado por Federico García Lorca e Manuel de Falla em 1922, e no qual Manolo Caracol, com apenas doze anos de idade, deslumbrou, levando para casa o prémio máximo.
Não podendo estar em dois sítios ao mesmo tempo, a minha decisão há muito caiu para o lado de José Tomás (há que celebrar os vivos), e hoje vou estar na praça de touros de Granada — com lotação esgotada desde o primeiro dia de venda de bilhetes — para apreciar a arte do matador do momento.



Carlos Miguel Fernandes

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junho 08, 2009

O País Visto de Longe XXII

O ar de Portugal está mais respirável. Pouco, suponho, pois quando um em cada cinco eleitores escolhe partidos de extrema-esquerda, herdeiros de doutrinas criminosas e seguidores de algumas das figuras mais sinistras do século XX, não há motivos para festejar. Mas pelo menos já se vê a luz ao fundo do longo e escuro túnel “socratista”. Quatro anos de trapalhadas, impulsos totalitaristas, arrogância e despesismo podem não ficar impunes nas próximas eleições legislativas, ao contrário do que se pensava há um par de meses. Para já, a maioria absoluta parece ser impossível de repetir, e essa evidência deve ter deixado o “engenheiro” Pinto de Sousa à beira de um dos seus já célebres ataques de cólera e os seus fiéis súbitos em pânico. Depois de um primeiro-ministro chamado António Guterres, inepto e delapidador do erário público, aparece esta figura que, vinda das catacumbas da política, do mundo dos favores e compadrios, alia essas “qualidades” a uma enorme falta de respeito pelas regras democráticas e pela liberdade. Aos poucos, os portugueses vão aprendendo que a governação socialista é uma receita para o desastre económico e político.

É evidente que não existe no panorama português um partido que cative aqueles que, como eu, repudiam o paternalismo de Estado. Ao contrário do que muitas comparações disparatadas querem fazer crer, não há um clone de Margaret Tatcher pronto para salvar o país. Há apenas Manuela Ferreira Leite, liderando um partido social-democrata (não nos podemos esquecer da génese da social-democracia). No entanto, e tendo em conta o estado das coisas, pode ser um enorme passo em frente no sentido da liberalização da democracia portuguesa, e uma última esperança para um regime destroçado e descredibilizado pelo governo do PS. De qualquer forma eu prefiro manter-me ao largo, por muitos e bons anos. Em Espanha ou noutro sítio qualquer. Portugal é um lugar muito mal frequentado e não é uma barrela que o vai expurgar de todos os seus pecados.

Carlos Miguel Fernandes

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junho 05, 2009

Paternalismo

Rigoletto de Verdi — aqui na versão de Kubelik (1964), com Renata Scotto no papel de Gilda e Fischer-Dieskau na pele do desditoso bobo da corte —, o retrato de uma personagem contraditória, que se move entre a sentimentos pouco nobres e um amor sem limites pela filha, um amor o que o leva a protegê-la de uma forma obstinada, quase doentia, após ser amaldiçoado por outro homem em fúria. No final, e apesar de todos os esforços de Rigoletto, Gilda morre nos seus braços. Para adensar a tragédia, a morte de Gilda é o resultado involuntário de um acto desesperado de Rigoletto, um pai supersticioso e vingativo que “apenas” queria proteger a filha de uma maldição.

Nota: esta ópera foi condicionada pela censura, por se recear um crime de lesa-majestade. Claro que hoje não se chamaria censura às exigências das autoridades austríacas. Regulação, talvez.

(Também aqui.)

Carlos Miguel Fernandes

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junho 01, 2009

Descobrimentos, Paprika e Caril

Ali em baixo escrevi: A paprika é feita com os pimentos que crescem na Hungria, os quais são o produto de um processo evolutivo – e os pimentos prestam-se bem à hibridação – que começou desde a sua introdução em Espanha no século XVII até chegarem à Europa Central.

É verdade, mas o caminho dos pimentos desde a Península Ibérica até à Hungria seguiu um trilho menos óbvio (e começou antes do século XVII, antes de entrar definitivamente nas cozinhas espanholas).

Os pimentos — desde as pequenas e delgadas malaguetas ao enfunado pimento vermelho — são os frutos da planta capsicum, nativa da América tropical e descoberta por Cristóvão Colombo quando aportou nas Caraíbas. As primeiras plantas chegaram a Espanha em 1494 e rapidamente se espalharam pelo Norte de África, África Ocidental, Madagáscar e, finalmente, Índia, levadas pelas naus portuguesas que faziam a rota das especiarias. Não se sabe ao certo quando chegaram, mas trinta anos após Vasco da Gama ter trilhado pela primeira vez o caminho marítimo para a Índia já existiam pelo menos três tipos de pimentos/malaguetas na região de Goa. É nessa altura que nasce o célebre vindaloo, fruto da fusão da cozinha portuguesa — vindaloo é uma corruptela de vinho e alhos — e goesa, e da introdução da capsicum na dieta da região. O vindaloo pode até ser classificado como o primeiro caril, ou o pai de todos os “caris”, o que significaria que portugueses e espanhóis tiveram um papel crucial no lento despontar do maior símbolo actual da cozinha indiana. Enquanto o império Mughal, a norte, enriquecia a gastronomia do subcontinente asiático com a herança persa, os povos ibéricos, a milhares de quilómetros de distância, faziam sentir a sua influência através dos empórios do sul do país.

Ainda mal haviam chegado à Índia, já os pimentos e seus derivados seguiam uma rota terrestre pela Ásia Central até chegar à Turquia. Daí, e segundo Lizzie Collingham no livro Curry, A Tale of Cooks and Conquerors, foram levados para a Europa Oriental e Central: Turks, whose source of supply is uncertain, though it seem likely that capsicums grown on the west coast of India were dried or ground into powder and then traded along the medieval spice routes across the Arabian Sea into Persia. From there dried chillies, cayenne pepper, and paprika would have found their way north along the trade routes connected to the Black Sea ports, where they were incorporated into Turkish cuisine. In 1526, the Turks conquered Hungary and paprika, later the hallmark spice of Hungarian cookery, was introduced into the region.

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O fluxo de influências na gastronomia europeia sempre seguiu maioritariamente no sentido Oriente-Ocidente. A introdução do olival e da vinha na Península Ibérica, vindos da Grécia, a forte influência da cozinha árabe nas restantes cozinhas mediterrânicas, a rota do arroz, desde o pilau persa até à paella valencia, são alguns exemplos dos ventos dominantes que foram moldando as gastronomias do sul da Europa. A América abriu a porta das traseiras — que logo se transformou em porta de entrada — da Península Ibérica a novas influências. Sem tentar contrariar a corrente, os portugueses foram directamente à fonte e ofereceram à Índia as malaguetas do Novo Mundo. Entretanto, o pimento seguiu o rumo natural e migrou para Ocidente. Os portugueses e os espanhóis deram a capsicum ao Oriente e os turcos retribuíram com a paprika.

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maio 25, 2009

Momentos Perfeitos

Jessye Norman canta a ária Mon coeur s'ouvre a ta voix da ópera Samson et Dalila, de Camille Saint-Saens. Apesar de Norman não ser uma médio-soprano — tipo de voz para a qual foi escrito o papel de Dalila —, esta interpretação, na minha opinião, devia ser elevada ao estatuto de cânone. O chamamento final, quase perfeito e de uma intensidade só possível com a presença física de Jessye Norman, é o prenúncio da tragédia e revela quem realmente detém a força neste jogo de enganos. Sedução, traição e desprezo, tudo num magnífico esgar, tão fugaz como arrebatador.

Carlos Miguel Fernandes

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maio 23, 2009

José Tomás em Granada

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No ano passado ofereceu-nos a sua arte e saiu pela porta grande da praça de touros de Granada. Este ano José Tomás volta a actuar nas festas do Corpus Christi, e desta vez eu vou lá estar, no tendido (e ao sol, suspeito, pelo preço do bilhete; mas como foi por enchufe*talvez me engane…). Como sabe quem já assistiu a uma corrida de touros em Espanha, há festa antes, durante e depois. A tourada espanhola é muito diferente da portuguesa, e não só pelos touros de morte. Muito diferente. Para melhor.

*tradução: Sócrates, primo, Charles Smith, Freeport,...

Carlos Miguel Fernandes

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maio 19, 2009

Porco, Paprika e Arroz Venere

(Também aqui.)

Meio quilo de carne de porco, duas ou três folhas de louro, meia dúzia de dentes de alho esmagados, azeite e vinagre em proporção três para um, alguns ramos de rosmaninho seco, sal, pimenta, pimenta Caiena, duas horas de repouso, e temos a matéria pronta para o estufado, que logo vai à panela com duas cebolas, meio quilo de tomate e um pimento verde pequeno (daqueles magros e longos, de polpa fina, que se encontram facilmente em Espanha), tudo toscamente picado. Junta-se 200 ml de água, acende-se o fogo e deixa-se em lume brando durante 45 minutos. Ao lado, coze-se arroz venere em água com sal durante 18 minutos. Esta escolha, para séquito da carne, tem pouco a ver com razões estéticas e muito menos com as apregoadas propriedades afrodisíacas deste arroz negro, cultivado no norte da Itália mas de origem chinesa. O venere, para além de ter um sabor exótico, não absorve muito os molhos, e assim se podem separar os sabores e evitar a mescla “pesada” resultante do estufados acompanhados com arroz branco. Não há nada mais tentador do que um arroz branco − seja basmati ou de grão longo – ensopado por um molho de um guisado ou estufado bem apurado mas também é verdade que o efeito obtido raramente é um exemplo de leveza e subtileza.

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Logo que o arroz esteja cozido e a carne tenra, temos o prato quase pronto. Só falta a paprika. Também se pode usar pimentón de La Vera mas o efeito não é igual, pois para além de ser feito com outros pimentos, o processo de produção dá à versão espanhola um leve aroma a fumado. O pimentón é produzido com pimentos que crescem em Espanha, nomeadamente nas regiões de Múrcia e Cáceres, e ganhou um peso importante na gastronomia espanhola desde a sua introdução na península. O polvo à galega, por exemplo, não existe sem este condimento. O pimentón é também um ingrediente fundamental da probadura, que, mais do que um prato ou receita, é um ritual: é assim chamada pois faz-se, logo após a matança do porco, para provar a massa da carne para os chouriços e aprovar, ou não, o tempero.

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A paprika é feita com os pimentos que crescem na Hungria, os quais são o produto de um processo evolutivo – e os pimentos prestam-se bem à hibridação – que começou desde a sua introdução em Espanha no século XVII até chegarem à Europa Central. Há diversas variantes à venda nos mercados de Budapeste, desde a mais suave e adocicada (Különleges), com uma tonalidade avermelhada, até ao pó mais “quente” e acastanhado (Erős). Aqui usamos duas colheres de sopa de uma versão intermédia (Rózsa), mas com cuidado, pois a paprika é muito instável. Por um lado, o seu sabor só é libertado quando é cozinhada, mas, se queimar, ganha um sabor amargo e desagradável. Como não vai estar em contacto com gordura a ferver, não há muito perigo, mas mesmo assim vamos pôr o lume no mínimo, largar a paprika no estufado, mexer e deixar cozinhar durante dois ou três minutos. Está pronto. Um prato mediterrânico com um toque magiar. ¡Al papeo!

Carlos Miguel Fernandes

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maio 15, 2009

Hárpias e Sereias

(Publicado há alguns dias no Insurgente.)

LA ADMINISTRACIÓN pública parece ajena a la crisis, al menos en lo que a contrataciones se refiere: en el último año, mientras casi 2 millones de trabajadores del sector privado se iban al paro, el Estado ha aumentado su nómina con 156.300 nuevos funcionarios. No sólo son más los empleados públicos, 3.029.500 en total, sino que se les ha subido el sueldo por encima del doble de la inflación, de manera que su remuneración costará en 2009 más de 120.000 millones de euros, duplicando lo que el Estado ingresará este año por IRPF. El 22% de los empleados en España pertenece ya al sector público, casi uno de cada cuatro, y en Extremadura ese porcentaje alcanza el 33,4%. A todo esto, ¿alguien ha notado como consecuencia una mejora de los servicios o de la atención al público?

No El Mundo

Zapatero não vai desistir das suas receitas para o desastre, e só há eleições daqui a três anos! Não está sozinho, claro. A crise despertou um reflexo pavloviano de amplitude mundial, fê-los abrir o livro de Keynes, e agora não há quem o feche. Não aprenderam nada com a História? Será que nos aguentaremos, neste fio da navalha para onde fomos deslizando, até os factos esvaziarem a retórica socialista?, pois não há dúvida de que esta crise e as “soluções” avançadas podem ferir de morte o socialismo, desde que haja uma economia que resista, e desde que os abutres se mantenham lá no alto, de onde nos miram atentamente já há algum tempo. Pois é, eles rondam, ansiosos por liderar as massas, que há muito não se apresentavam tão doutrináveis. E não são apenas os fantasmas de Marx e seus cúmplices que nos atormentam. São também outros velhos cantos da sereia anti-capitalistas, irmanados num movimento que, no seu caminho para o que define como Bem Comum, esmaga qualquer sinal de individualismo. É um cliché: os extremos tocam-se, e em situações de crise podem tomar conta da situação. Políticas como as de Zapatero só vão piorar os estados das coisas, ao aumentar o fosso entre dois sectores da sociedade, os quais, para complicar tudo ainda mais, já não se agrupam de acordo com a cartilha da luta de classes. Agora, de um lado estão aqueles que vivem sob a asa protectora do Estado, com os seus direitos adquiridos e emprego para a vida, e do outro uma enorme multidão que engloba, entre diversos grupos descontentes, os pequenos empresários que agora (?) têm que sustentar o monstro, e os cidadãos cujos empregos vão sendo sacrificados nesta sangria de capital e produção. Para o Estado todo-poderoso, a maior ameaça pode vir do empresário cansado de ver o seu trabalho transformado em regalias para outrem. Para todos, o perigo vem dos novos-excluídos, que ainda não perceberam bem o que lhes passou, e que não estão muito abertos a reflexões sobre o equilíbrio entre liberdade e poder e a debates sobre a dimensão do Estado. Esperemos que os primeiros façam valer a sua força, antes que os segundos nos incendeiem as ruas.

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maio 12, 2009

Granada, Alhambra e Arte Artificial

(...)

No limite sudeste da cidade de Granada há uma colina, e no topo dessa colina ergue-se o monumento mais visitado de Espanha: o Alhambra. Esta estrutura magnífica foi construída durante o reinado muçulmano da Península Ibérica, e, na sua forma original, foi concluída no século XIV. Após a queda de Granada, em 1492, o Alhambra passou por uma série de mudanças, algumas efectuadas pelos novos soberanos, outras causadas por catástrofes naturais, como o terramoto de 1821. Em 1812, o castelo escapou à destruição total quando um plano de Napoleão (1759-1821) para o derrubar com explosivos foi boicotado por um oficial com escrúpulos.

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Kurt Hielscher, Alhambra, Granada, 1914-19*

Visto do exterior, e à distância, o Alhambra revela-nos uma mistura de elementos naturais e humanos que lhe dão um tremendo e surpreendente carácter moderno. No interior, no palácio mouro, os visitantes podem apreciar os famosos mosaicos: padrões formados por conjuntos de figuras geométricas que se ligam para preencher um plano, sem sobreposições e sem espaços vazios. Estes padrões influenciaram o trabalho de M. C. Escher (1898-1972) após uma visita ao Alhambra, em 1921. Escher foi para além das figuras geométricas dos mosaicos mouros, e criou peças com formas de animais e pessoas — China Boy (1936), por exemplo —, e colocou-as em superfícies curvas, como em Circle Limit (1959). Antes de Escher, outros artistas, tais como Albrecht Durer (1471-1528) e Kolomon Moser (1868-1918), já haviam utilizado as mesmas técnicas, mas o Alhambra demonstra-nos que o valor estético do mosaico já era reconhecido pelo menos desde o Islão medieval, sendo na altura muito utilizado na arquitectura. No entanto, enquanto no Alhambra os padrões são exclusivamente periódicos, há outros exemplos na arquitectura muçulmana que se assemelham aos mosaicos de Roger Penrose (n. 1931), ou seja, não são periódicos, o que pode significar que os arquitectos islâmicos anteciparam em cinco séculos as descobertas dos matemáticos ocidentais. O que não anteciparam foi, obviamente, os mosaicos auto-replicáveis, e as ligações deste conceito às novas teorias que pretendem compreender e explicar os sistemas adaptativos complexos. A partir de simples formas geométricas que se juntam para criar uma forma maior, mas semelhante, temos acesso ao mundo fascinante da auto-replicação, dos autómatos celulares e da ciência da complexidade.

Os estudos de Alan Turing (1912-1954) sobre o autómato universal e as investigações de Jon von Neumann’s (1903-1957) na área dos autómatos auto-replicáveis são normalmente apontadas como os estudos fundadores da vida artificial, a ciência que modela e investiga os sistemas com propriedades semelhantes à vida, tal como auto-replicação, homeostase, adaptabilidade, e outras. No entanto, foi apenas no final dos anos oitenta do século XX que Christopher Langton (n. 1949) cunhou o termo “vida artificial” para designar esta área de investigação relacionada com a complexidade, robótica, algoritmos evolutivos, redes neuronais, e até ciências cognitivas. Menos citado num âmbito puramente científico, mas não menos importante por essa razão, é o trabalho pioneiro de Friedrich Hayek (1899-1992) sobre ordem espontânea e auto-organização realizado ainda na primeira metade do século XX. Segundo alguns autores, os conceitos abordados por Hayek anteciparam, até certo ponto, as investigações do Santa Fe Institute.

Entretanto, nos anos quarenta do século passado, William Grey Walter (1910-1977) construía as famosas tartarugas-robô, as quais foram uma fonte de inspiração para a robótica moderna. A inteligência artificial nasceu também na mesma altura (anos cinquenta), passou por uma fase que é conhecida como o Inverno (Artificial Intelligence Winter), e está agora a ressuscitar com fortes ligações à vida artificial e à computação evolutiva. O conexionismo, abandonado no final dos anos sessenta, está de volta, devido ao crescente interesse em redes neuronais. Darwinismo, caos, fractais, criticalidade auto-organizada (self-organized criticality) e outras teorias contribuíram e contribuem para um número crescente de estudos, projectos e publicações dedicados ao estudo de sistemas complexos.

(...)


(Excerto do texto que escrevi para o livro ROBOT ARTe, de Leonel Moura.)


Carlos Miguel Fernandes



*Esta é uma das primeiras imagens do belíssimo livro de Hielscher dedicado a Espanha. La España Incognita (Das Unbekannte Spanien, na edição alemão) foi publicado nos anos 1920s e retrata exaustivamente um país que ainda hoje nos assombra com os seus contrastes, dramatismo geográfico e forte personalidade cultural. Espanha é emoção. Hoje já não é assim tão incógnita, mas continua a ser um bom refúgio para quem quer ter (nem que seja) um vislumbre da vida na sua plenitude.

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maio 10, 2009

Ovos e Farinheira

Ovos com farinheira (e espargos), numa versão alternativa. Deixarei a receita, em breve, aqui, num lugar que tem andado muito parado nos últimos meses.

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Carlos M. Fernandes

Publicado por CMF às 12:23 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)

maio 08, 2009

Esquerda, Intolerância e Terrorismo

(Publicado ontem no Insurgente.)

El ‘número uno’ de los GRAPO, Israel Clemente, y su secuaz Xurxo García han reconocido con terrible frialdad ante el tribunal de la Audiencia Nacional que asesinaron a la empresaria Ana Isabel Herrero en febrero de 2006, después de que ella y su marido, que quedó malherido, se resistiesen a ser secuestrados en su garaje de Zaragoza: “Se convirtieron en un objetivo militar pleno por negarse a pagar el ‘impuesto revolucionario’ y su papel explotador”. (…)

El jefe de los GRAPO también fue contundente cuando el fiscal le sugirió la posibilidad de haberles disparado en la pierna, en lugar de tirar a matar: “Esa idea me parece políticamente inadmisible. Es una cuestión política. Mantenía un perfil empresarial que hacía de difícil justificación dispararle sólo en una pierna, por los conflictos laborales que había tenido. No fui yo el que pintó ‘cacique’ en la verja de su empresa”.

No El Mundo (Asesinato de Ana Isabel Herrero en Zaragoza)

Os GRAPO (Grupos de Resistencia Antifascista Primero de Octubre) são uma organização terrorista de extrema-esquerda que surgiu em Espanha em 1975 e que durante os 32 anos em que esteve activa (diz-se que em 2007 foi desarticulada) acumulou um vasto currículo de raptos e assassinatos. Gente bem doutrinada pelo sistema dominante costuma dizer que a grande diferença entre os grupúsculos de inspiração nazi e a extrema-esquerda é o carácter violento dos primeiros. Seria caso para rir, se não fosse esta uma das principais razões para a Europa continuar a marcar passo em matéria de liberdade e responsabilidade individual.

Carlos M. Fernandes

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